Sua Biografia
Quando jovem, Sofia Camila
Truszkowska era membro da Sociedade de São Vicente de Paulo e,
depois, membro da Terceira Ordem Secular. Ela jamais pensou em
fundar uma comunidade religiosa quando
trabalhava juntamente com a
sua prima cuidando dos doentes e dos necessitados nas periferias.
Contudo, a sua consagração pessoal e a de sua prima, à Nossa Senhora
de Czestochowa, a Madona Negra da Polónia, no dia 21 de Novembro de
1855, é registrada como a data do início da Congregação Feliciana.
A Bem-aventurada Maria Ângela
nasceu em Kalisz, Polónia no dia 16 de Maio de 1825. Nascida de uma
família nobre, foi beneficiada pelas oportunidades culturais e
educacionais próprias da nobreza.
Os Primeiros Anos em Kalisz
Os pais de Sofia, José e
Josefina Rudzinska Truszkowski, pessoas piedosas, incutiram em sua
filha primogénita virtudes de piedade, justiça social e caridade
manifestadas em suas próprias vidas, pois eram pais carinhosos,
católicos devotos e cidadãos leais. Devido ao seu nascimento
prematuro, a saúde de Sofia era comprometida, e por isso os seus
pais manifestaram-lhe amor profundo e solicitude, entretanto, isso
não a deixou mimada, mas ao contrário, incutiu nela solicitude
genuína e compaixão para com os outros.
Contudo, ela era uma criança
caprichosa e um tanto obstinada, ainda que, carinhosa e muito
interessada em tudo ao seu redor. Desde a sua infância, Sofia
manifestava uma sensibilidade fora do comum para com a miséria
humana e a pobreza. Cada moeda que recebia, logo a entregava para os
pobres.
Reconhecendo em Sofia uma
inteligência viva e curiosidade ávida, José Truszkowski resolveu
fornecer à sua filha primogénita a melhor preparação académica e
cultural sem prejudicar a sua saúde frágil. Evitando o rigor de uma
sala de aula, os pais empregaram Anastásia Kotowicz como governanta.
Crescendo em Varsóvia
Mais tarde, a família mudou-se
para Varsóvia. José Truszkowski foi transferido da sua posição como
juiz do tribunal juvenil em Kalisz para posição de escriturário.
Sofia, que estava com doze anos, foi matriculada num pensionato,
conduzido pela Senhorita Lehman que zelava muito pela educação
religiosa das jovens.
Durante este tempo, Sofia
recebeu o Sacramento da Eucaristia - uma experiência espiritual que
influenciou muito seus anos de adolescência proporcionando uma
perceptível mudança no seu comportamento. Ela se tornou mais dócil
para com os seus pais, cumpria suas tarefas com muito empenho, e
perseverava até o fim nas obrigações a ela confiadas.
Oração Pessoal na Suíça
A intensidade com que Sofia se
dedicou aos seus estudos e se empenhou nas situações da vida,
debilitou suas energias e sua saúde até o ponto de ficar doente com
tuberculose aos dezasseis anos. O médico da família recomendou um
descanso na Suíça para que ela pudesse recuperar a sua saúde.
Acompanhada pela Senhora Kotowicz, que continuou morando com a
família Truszkowski após a ida de Sofia para o pensionato, Sofia
passou um ano na Suíça. As belezas da natureza, o silêncio e a
solidão que ela experienciou nos Alpes cobertos de neve, não somente
restauraram a sua saúde, mas proporcionaram o início de uma vida
interior de oração.
Sofia voltou a Varsóvia com
mais dignidade e maturidade e deixou o pensionato a fim de estudar
sozinha em casa. Tendo acesso à vasta colecção de livros na
biblioteca do pai, ela continuou seus estudos, incluindo as línguas
Latim e Francês. Ela também estudou filosofia contemporânea, ética,
e pensamento social. Agraciada com uma mente perspicaz; uma educação
formal clássica; um profundo conhecimento dos problemas sociais
contemporâneos (devido aos estudos e esforços pessoais); a
experiência profissional do pai e o ambiente familiar aberto, o
delicado espírito de Sofia foi intensificado pelo desenvolvimento de
uma espiritualidade sólida apoiada pela vida profunda de oração e
direcção espiritual.
Discernindo a Vontade de Deus
em Colónia
Atraída à vida de oração
contemplativa, Sofia eventualmente contou aos seus pais que queria
ser uma religiosa das Irmãs Visitandinas. Seus planos foram adiados,
entretanto, quando seu pai ficou doente e foi aconselhado a procurar
melhorar a sua saúde em Sazbunn. Sendo a filha mais velha da
família, foi necessário que Sofia acompanhasse o seu pai até a
Alemanha. Quando o pai melhorou o suficiente para viajar, eles
visitaram algumas cidades maiores na Alemanha, incluindo Colónia.
Foi na Catedral de Colónia, durante uma inesquecível experiência de
oração, que Sofia começou a entender a sua verdadeira vocação
porque, neste momento, ela discerniu claramente que Deus não a
estava chamando para ser uma religiosa das Irmãs Visitandinas.
Voltando para Varsóvia, Sofia
voltou à sua vida rotineira assumindo as actividades e obrigações
diárias e ao mesmo tempo, cuidando do seu pai. Assegurando-lhe que
iria ficar com ele até o fim, deixou de lado o seu desejo de ser uma
irmã Visitandina e retornou às suas obras de caridade. Em vez da
ajuda esporádica que dava aos pobres anteriormente, ela procurou uma
maneira mais organizada que poderia beneficiar aos necessitados por
um período maior. Em 1854, ela entrou na Sociedade de São Vicente de
Paulo e ficou mais envolvida nas visitas domiciliares e serviços às
famílias pobres. O número das famílias crescia cada vez mais, pois
elas estavam vindo das áreas rurais para trabalhar e morar nos novos
sectores industriais da cidade. Pouco depois, com o apoio financeiro
do pai, Sofia, alugou dois quartos numa casa para poder cuidar de
várias órfãs e idosas. Ela também empregou uma Senhora para ficar
com as órfãs e as idosas durante a noite. Sofia passava os seus dias
trabalhando no que ficou conhecido como o “Instituto da Senhorita
Truszkowska”.
Membro da Terceira Ordem
Secular de São Francisco
As dimensões do carisma de
Sofia começaram a tomar forma. Seus dons da natureza e da graça e
seu crescente serviço à Igreja através dos pobres e desprezados,
aumentou o envolvimento de Sofia no discipulado da mensagem do
Evangelho de Jesus. Juntou-se a Sofia, sua prima e amiga íntima,
Clotilde Ciechanowska, com quem ela partilhava confidências
espirituais durante a sua adolescência. Mais tarde, as duas jovens
tornaram-se membros da Terceira Ordem Secular de São Francisco, sob
a direcção do Padre Honorato Kozminski no mosteiro Capuchinho em
Varsóvia.
Não demorou a aumentar o número
de mulheres e crianças as quais Sofia cuidava, resultando na
necessidade de transferir o Instituto da Senhorita Truszkowska para
uma residência maior. Sofia e Clotilde deixaram as suas próprias
casas a fim de morar no Instituto. Lá, diante do ícone de Nossa
Senhora de Czestochowa, na festa da Apresentação da Bem-aventurada
Virgem Maria, dia 21 de Novembro de 1855, Sofia, conhecida como
Ângela, o nome que recebeu como membro da Terceira Ordem Secular de
São Francisco, e Clotilde, conhecida como Verónica, solenemente se
comprometeram a fazer a vontade do Senhor Jesus Cristo, em todas as
coisas. Esta data é oficialmente declarada como o dia da fundação da
Congregação das Irmãs de São Félix de Cantalice.
Portanto, quando Sofia estava
levando as crianças à Igreja dos Capuchinhos para rezar diante da
imagem de São Félix de Cantalice, o povo começou a chamá-las de
“crianças de São Félix”. Apesar de Sofia e as outras jovens que se
juntaram a ela, não usarem um hábito religioso, o povo as chamou
“Irmãs de São Félix”. O nome popular que surgiu em relação às Irmãs
foi “Irmãs Felicianas” que permanece até hoje.
Após observar as jovens e o
trabalho bom que faziam, o Padre Benjamin Szymanski, ministro
provincial dos Capuchinhos, seriamente considerou a possibilidade
delas se tornarem uma comunidade religiosa na Igreja e designou o
Padre Kozminski como director do Instituto com a responsabilidade de
formular uma regra de vida para elas.
Chamada à Liderança
Foi quando o Instituto da
Senhorita Truszkowska tomou o seu novo lugar na Igreja como uma
comunidade religiosa na qual Ângela se sentiu realizada na sua
vocação e reconheceu o seu destino no plano de Deus. Os seus dons
pessoais, a forma pela qual ela foi criada na família, a formação
académica, as qualidades de liderança e as aptidões para a
organização encontraram espaço no seu papel como superiora geral da
nova comunidade. Sua profunda vida de oração, sua santidade e
compaixão que ela manifestou para com os outros, tornaram-se o
distintivo de sua função como líder espiritual. Sua dedicação e
clara visão atraíram novos membros e inspiraram aquelas que já
faziam parte da comunidade. Através da sua vida, seu trabalho e sua
santidade, ela forjou o papel e o destino da primeira comunidade
activo-contemplativa das religiosas na Polónia. A nova comunidade
era excepcional na vida religiosa tradicional na Polónia. As
Felicianas eram inovadoras na organização, na liderança e no serviço
dentro do seu próprio país e nas terras missionárias.
Durante os primeiros anos,
Ângela foi eleita superiora geral da Congregação por três termos
sucessivos. A multidão de responsabilidades e os desafios sem fim,
as provações e dificuldades que ela sofreu, como também, os
problemas sérios de saúde, levaram a Fundadora a retirar-se da
administração da Congregação no ano 1869. Ela tinha quarenta e
quatro anos quando foi destinada a viver uma vida oculta por trinta
anos, os quais passou, em oração, trabalho e sofrimento. Ela sofreu
a perda progressivo da audição, que prejudicou seriamente seus
relacionamentos como superiora geral, assim como as suas discussões
durante conferências espirituais e até, suas conversas ordinárias na
comunidade. Dores cruciantes de cabeça, e tumores malignos também
tomaram conta dela e restringiu seu envolvimento activo nos assuntos
comunitários.
Madre Ângela aceitou a tarefa
de trabalhar no jardim e estufa, cuidando de flores para a capela,
como também o trabalho na sala de costura confeccionando vestimentas
litúrgicas, bordando casulas e toalhas do altar. Cada aspecto da
vida e do serviço da Madre Ângela demonstrava a sua graça como
fundadora e líder espiritual. Sua solicitude para com as irmãs
permaneceu muito viva nela até nos momentos de maior dor. Como
Fundadora, ela inspirou o trabalho de formulação das constituições,
o início de novos ministérios, e a sua missão como guia espiritual
de suas irmãs. Sua total resignação à vontade de Deus,
gradativamente a levou a uma união completa com Ele numa longa
experiência mística a partir do seu próprio aniquilamento. Madre
Ângela faleceu na casa provincial de Cracóvia, no dia 10 de Outubro
de 1899 e está enterrada na capela do convento.
No dia 18 de Abril de 1993,
Madre Ângela se uniu à companhia dos Bem-aventurados durante a Missa
de Beatificação na Praça de São Pedro, Cidade do Vaticano.
http://003a14d.netsolhost.com/Portuguese/mmabiography.cfm |