Ad perpetuam rei memoriam

Sofia Camila Truszkowska
(Ângela Maria)
Religiosa, Fundadora, Beata
1825-1899

Sua Biografia

Quando jovem, Sofia Camila Truszkowska era membro da Sociedade de São Vicente de Paulo e, depois, membro da Terceira Ordem Secular. Ela jamais pensou em fundar uma comunidade religiosa quando trabalhava juntamente com a sua prima cuidando dos doentes e dos necessitados nas periferias. Contudo, a sua consagração pessoal e a de sua prima, à Nossa Senhora de Czestochowa, a Madona Negra da Polónia, no dia 21 de Novembro de 1855, é registrada como a data do início da Congregação Feliciana.

A Bem-aventurada Maria Ângela nasceu em Kalisz, Polónia no dia 16 de Maio de 1825. Nascida de uma família nobre, foi beneficiada pelas oportunidades culturais e educacionais próprias da nobreza.

Os Primeiros Anos em Kalisz

Os pais de Sofia, José e Josefina Rudzinska Truszkowski, pessoas piedosas, incutiram em sua filha primogénita virtudes de piedade, justiça social e caridade manifestadas em suas próprias vidas, pois eram pais carinhosos, católicos devotos e cidadãos leais. Devido ao seu nascimento prematuro, a saúde de Sofia era comprometida, e por isso os seus pais manifestaram-lhe amor profundo e solicitude, entretanto, isso não a deixou mimada, mas ao contrário, incutiu nela solicitude genuína e compaixão para com os outros.

Contudo, ela era uma criança caprichosa e um tanto obstinada, ainda que, carinhosa e muito interessada em tudo ao seu redor. Desde a sua infância, Sofia manifestava uma sensibilidade fora do comum para com a miséria humana e a pobreza. Cada moeda que recebia, logo a entregava para os pobres.

Reconhecendo em Sofia uma inteligência viva e curiosidade ávida, José Truszkowski resolveu fornecer à sua filha primogénita a melhor preparação académica e cultural sem prejudicar a sua saúde frágil. Evitando o rigor de uma sala de aula, os pais empregaram Anastásia Kotowicz como governanta.

Crescendo em Varsóvia

Mais tarde, a família mudou-se para Varsóvia. José Truszkowski foi transferido da sua posição como juiz do tribunal juvenil em Kalisz para posição de escriturário. Sofia, que estava com doze anos, foi matriculada num pensionato, conduzido pela Senhorita Lehman que zelava muito pela educação religiosa das jovens.

Durante este tempo, Sofia recebeu o Sacramento da Eucaristia - uma experiência espiritual que influenciou muito seus anos de adolescência proporcionando uma perceptível mudança no seu comportamento. Ela se tornou mais dócil para com os seus pais, cumpria suas tarefas com muito empenho, e perseverava até o fim nas obrigações a ela confiadas.

Oração Pessoal na Suíça

A intensidade com que Sofia se dedicou aos seus estudos e se empenhou nas situações da vida, debilitou suas energias e sua saúde até o ponto de ficar doente com tuberculose aos dezasseis anos. O médico da família recomendou um descanso na Suíça para que ela pudesse recuperar a sua saúde. Acompanhada pela Senhora Kotowicz, que continuou morando com a família Truszkowski após a ida de Sofia para o pensionato, Sofia passou um ano na Suíça. As belezas da natureza, o silêncio e a solidão que ela experienciou nos Alpes cobertos de neve, não somente restauraram a sua saúde, mas proporcionaram o início de uma vida interior de oração.

Sofia voltou a Varsóvia com mais dignidade e maturidade e deixou o pensionato a fim de estudar sozinha em casa. Tendo acesso à vasta colecção de livros na biblioteca do pai, ela continuou seus estudos, incluindo as línguas Latim e Francês. Ela também estudou filosofia contemporânea, ética, e pensamento social. Agraciada com uma mente perspicaz; uma educação formal clássica; um profundo conhecimento dos problemas sociais contemporâneos (devido aos estudos e esforços pessoais); a experiência profissional do pai e o ambiente familiar aberto, o delicado espírito de Sofia foi intensificado pelo desenvolvimento de uma espiritualidade sólida apoiada pela vida profunda de oração e direcção espiritual.

Discernindo a Vontade de Deus em Colónia

Atraída à vida de oração contemplativa, Sofia eventualmente contou aos seus pais que queria ser uma religiosa das Irmãs Visitandinas. Seus planos foram adiados, entretanto, quando seu pai ficou doente e foi aconselhado a procurar melhorar a sua saúde em Sazbunn. Sendo a filha mais velha da família, foi necessário que Sofia acompanhasse o seu pai até a Alemanha. Quando o pai melhorou o suficiente para viajar, eles visitaram algumas cidades maiores na Alemanha, incluindo Colónia. Foi na Catedral de Colónia, durante uma inesquecível experiência de oração, que Sofia começou a entender a sua verdadeira vocação porque, neste momento, ela discerniu claramente que Deus não a estava chamando para ser uma religiosa das Irmãs Visitandinas.

Voltando para Varsóvia, Sofia voltou à sua vida rotineira assumindo as actividades e obrigações diárias e ao mesmo tempo, cuidando do seu pai. Assegurando-lhe que iria ficar com ele até o fim, deixou de lado o seu desejo de ser uma irmã Visitandina e retornou às suas obras de caridade. Em vez da ajuda esporádica que dava aos pobres anteriormente, ela procurou uma maneira mais organizada que poderia beneficiar aos necessitados por um período maior. Em 1854, ela entrou na Sociedade de São Vicente de Paulo e ficou mais envolvida nas visitas domiciliares e serviços às famílias pobres. O número das famílias crescia cada vez mais, pois elas estavam vindo das áreas rurais para trabalhar e morar nos novos sectores industriais da cidade. Pouco depois, com o apoio financeiro do pai, Sofia, alugou dois quartos numa casa para poder cuidar de várias órfãs e idosas. Ela também empregou uma Senhora para ficar com as órfãs e as idosas durante a noite. Sofia passava os seus dias trabalhando no que ficou conhecido como o “Instituto da Senhorita Truszkowska”.

Membro da Terceira Ordem Secular de São Francisco

As dimensões do carisma de Sofia começaram a tomar forma. Seus dons da natureza e da graça e seu crescente serviço à Igreja através dos pobres e desprezados, aumentou o envolvimento de Sofia no discipulado da mensagem do Evangelho de Jesus. Juntou-se a Sofia, sua prima e amiga íntima, Clotilde Ciechanowska, com quem ela partilhava confidências espirituais durante a sua adolescência. Mais tarde, as duas jovens tornaram-se membros da Terceira Ordem Secular de São Francisco, sob a direcção do Padre Honorato Kozminski no mosteiro Capuchinho em Varsóvia.

Não demorou a aumentar o número de mulheres e crianças as quais Sofia cuidava, resultando na necessidade de transferir o Instituto da Senhorita Truszkowska para uma residência maior. Sofia e Clotilde deixaram as suas próprias casas a fim de morar no Instituto. Lá, diante do ícone de Nossa Senhora de Czestochowa, na festa da Apresentação da Bem-aventurada Virgem Maria, dia 21 de Novembro de 1855, Sofia, conhecida como Ângela, o nome que recebeu como membro da Terceira Ordem Secular de São Francisco, e Clotilde, conhecida como Verónica, solenemente se comprometeram a fazer a vontade do Senhor Jesus Cristo, em todas as coisas. Esta data é oficialmente declarada como o dia da fundação da Congregação das Irmãs de São Félix de Cantalice.

Portanto, quando Sofia estava levando as crianças à Igreja dos Capuchinhos para rezar diante da imagem de São Félix de Cantalice, o povo começou a chamá-las de “crianças de São Félix”. Apesar de Sofia e as outras jovens que se juntaram a ela, não usarem um hábito religioso, o povo as chamou “Irmãs de São Félix”. O nome popular que surgiu em relação às Irmãs foi “Irmãs Felicianas” que permanece até hoje.

Após observar as jovens e o trabalho bom que faziam, o Padre Benjamin Szymanski, ministro provincial dos Capuchinhos, seriamente considerou a possibilidade delas se tornarem uma comunidade religiosa na Igreja e designou o Padre Kozminski como director do Instituto com a responsabilidade de formular uma regra de vida para elas.

Chamada à Liderança

Foi quando o Instituto da Senhorita Truszkowska tomou o seu novo lugar na Igreja como uma comunidade religiosa na qual Ângela se sentiu realizada na sua vocação e reconheceu o seu destino no plano de Deus. Os seus dons pessoais, a forma pela qual ela foi criada na família, a formação académica, as qualidades de liderança e as aptidões para a organização encontraram espaço no seu papel como superiora geral da nova comunidade. Sua profunda vida de oração, sua santidade e compaixão que ela manifestou para com os outros, tornaram-se o distintivo de sua função como líder espiritual. Sua dedicação e clara visão atraíram novos membros e inspiraram aquelas que já faziam parte da comunidade. Através da sua vida, seu trabalho e sua santidade, ela forjou o papel e o destino da primeira comunidade activo-contemplativa das religiosas na Polónia. A nova comunidade era excepcional na vida religiosa tradicional na Polónia. As Felicianas eram inovadoras na organização, na liderança e no serviço dentro do seu próprio país e nas terras missionárias.

Durante os primeiros anos, Ângela foi eleita superiora geral da Congregação por três termos sucessivos. A multidão de responsabilidades e os desafios sem fim, as provações e dificuldades que ela sofreu, como também, os problemas sérios de saúde, levaram a Fundadora a retirar-se da administração da Congregação no ano 1869. Ela tinha quarenta e quatro anos quando foi destinada a viver uma vida oculta por trinta anos, os quais passou, em oração, trabalho e sofrimento. Ela sofreu a perda progressivo da audição, que prejudicou seriamente seus relacionamentos como superiora geral, assim como as suas discussões durante conferências espirituais e até, suas conversas ordinárias na comunidade. Dores cruciantes de cabeça, e tumores malignos também tomaram conta dela e restringiu seu envolvimento activo nos assuntos comunitários.

Madre Ângela aceitou a tarefa de trabalhar no jardim e estufa, cuidando de flores para a capela, como também o trabalho na sala de costura confeccionando vestimentas litúrgicas, bordando casulas e toalhas do altar. Cada aspecto da vida e do serviço da Madre Ângela demonstrava a sua graça como fundadora e líder espiritual. Sua solicitude para com as irmãs permaneceu muito viva nela até nos momentos de maior dor. Como Fundadora, ela inspirou o trabalho de formulação das constituições, o início de novos ministérios, e a sua missão como guia espiritual de suas irmãs. Sua total resignação à vontade de Deus, gradativamente a levou a uma união completa com Ele numa longa experiência mística a partir do seu próprio aniquilamento. Madre Ângela faleceu na casa provincial de Cracóvia, no dia 10 de Outubro de 1899 e está enterrada na capela do convento.

No dia 18 de Abril de 1993, Madre Ângela se uniu à companhia dos Bem-aventurados durante a Missa de Beatificação na Praça de São Pedro, Cidade do Vaticano.

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