No
século, chamava-se Libânia do Carmo Galvão Mexia de Moura Telles e
Albuquerque. Nasceu no dia 15 de Junho de 1843, na Quinta do Bosque,
Amadora, Lisboa. Era a terceira de sete filhos. Seus pais eram Nuno
Tomás de Mascarenhas Galvão Mexia de Moura Telles e Albuquerque e D.
Maria da Purificação de Sá Carneiro Duarte Ferreira. Dois meses e
meio depois do nascimento, a 2 de Setembro de 1843, na Paróquia de
Nossa Senhora de Amparo de Benfica, Libânia foi baptizada. Os seus
pais eram muito religiosos, e por isso, desde pequenina Libânia
aprendeu a falar de Deus e aprendeu a rezar. Libânia ficou órfã
desde a adolescência. As epidemias de cólera morbus e da
febre-amarela que grassavam em Lisboa e arredores chegaram também a
Amadora e à família Galvão Mexia. Em 1856 morria mãe; e em 1857
falecia o pai.
Entretanto o rei Dom Pedro V cedia algumas das dependências do
Palácio Real para acolher os filhos das famílias nobres que tinham
perdido os pais durante o flagelo. Assim nasceu o “Real Asilo (ou
Pensionato) da Ajuda.
Em 1857
chegaram da França as Filhas da Caridade, instituição fundada por
São Vicente de Paulo, em 1633. Chegara a Lisboa no dia 23 de Outubro
de 1857, mas só ficaram em Portugal cinco anos.
Em
1857, a menina Libânia e a sua irmã Matilde foram acolhidas no “Real
Pensionato da Ajuda” e lá permaneceram até à expulsão das religiosas
Filhas da caridade francesas em 1862. Delas receberam a educação e
formação próprias das senhoras daquele tempo.
A irmã
Matilde optara pela vida religiosa de clausura entrando no mosteiro
da Visitação, em Lisboa. Libânia ficou sozinha e foi convidada pela
Marquesa de Velada a ir para sua casa. Passou cinco anos na casa dos
Marqueses de Valada. Em 1867, a marquesa, por motivos familiares,
entrava no convento de São José em Paris, e Libânia recolhia-se no
Pensionato de S. Patrício.
Dois
anos, depois de se ter aconselhado com o Padre Raimundo dos Anjos
Beirão, Libânia passa para o Recolhimento das Capuchinhas de Nossa
Senhora da Conceição, no mesmo convento, e toma hábito, em 1869,
sendo padrinhos da cerimónia os Marqueses da Ribeira. Tinha 26 anos.
Recebe o nome da Irmã Maria Clara do menino Jesus. A 10 de Fevereiro
de 1870 é enviada a Calais, França, a continuar a sua formação entre
as Franciscanas Missionárias de Nossa Senhora, onde viria a
professar novamente. Em 1869 tomou hábito e emitiu votos de
Capuchinha, conservando o nome de Irmã Maria Clara do Menino Jesus.
Professou no dia 14 de Abril de 1871, em França, regressando a
Portugal, no dia 1 Maio desse ano. No dia 3,com a ajuda do Frei
Raimundo funda a primeira Comunidade, das Irmãs Franciscanas
Hospitaleiras da Imaculada Conceição, em S. Patrício – Lisboa.
Em 21
de Março de 1874, uma assembleia de trinta e cinco Irmãs da Casa de
S. Patrício aprovou os Estatutos das “Irmãs Hospitaleiras dos Pobres
pelo Amor de Deus. E com a influencia do Cardeal Patriarca de Lisboa
e da infanta Dona Isabel Maria, filha de Dom João VI e irmã dos reis
D. Pedro IV e D. Miguel, os ditos Estatutos foram aprovados, como
“Associação de Beneficência”, por alvará do Governo Civil de Lisboa,
datado de 22 de Maio de 1874. Em 25 de Novembro de3 1875, a Irmã
Maria Clara dirigia à santa é o pedido de aprovação da sua
Congregação. E quatro meses depois, em 27 de Março de 1876, a
Congregação das Irmãs Hospitaleiras Portuguesas era aprovada por
breve pontifício do Papa IX. Em 3 de Maio, a Irmã Maria Clara do
Menino Jesus, por decisão do P. Frei Raimundo, assumia a
responsabilidade da mesma, como Superiora geral.
A
situação social do seu tempo (século XIX) deixava na miséria uma
multidão enorme de empobrecidos, constantemente agredida pela
injustiça e pela opressão: desabrigados, doentes, viúvas, órfãos,
etc.
O
clamor destes deserdados encontrou eco no coração da Irmã Maria
Clara que pôs em prática o exercício da caridade em favor dos
pobres; aliviar sofrimentos nos Colégios, Creches, Hospitais, com a
assistência a inválidos, crianças, tratamento ao domicílio, cozinhas
económicas, etc.
Durante
o seu governo, a irmã Maria Clara abriu grande número de casas para
recolher pobres e necessitados em Portugal. Em 1883, envia as irmãs
Franciscanas Hospitaleiras para Angola, em 1886 para Goa (Índia
Portuguesa) em 1893 para Guiné (Bissau) e para Cabo Verde.
Neste
momento, as Irmãs Franciscanas Hospitaleiras exercem a sua missão de
“hospitalidade” em cinco continentes: América (Brasil e Usa); África
(Angola, Moçambique, Cabo Verde); Ásia (Índia, Filipinas e
Timor-Leste), Europa (Portugal, Espanha e Itália).
A irmã
Maria Clara faleceu em Lisboa, no dia 1 de Dezembro de 1899, depois
de uma vida inteiramente dedicada a todo o Bem, onde fosse
necessário fazer-se. Foi sepultada três dias depois, no cemitério
dos Prazeres, acompanhada de enorme multidão de fiéis que
reconheciam a sua santidade. Os restos mortais repousam hoje na
Cripta da Capela da Casa Mãe, em Linda-a-Pastora.
A 18 de
Dezembro de 1995 iniciou-se a abertura do processo de canonização da
Madre Maria Clara. Depois anos depois fazia a clausura do processo
diocesano em Linda-a-Pastora, Lisboa e a entrega do Processo na
Congregação para a Causa dos Santos em Roma.
Em 2003
operava-se o suposto milagre da cura de pioderma gangrenoso, em D.
Georgina Trancoso Monteagudo, de Baiona (Espanha). Em 2005 era
entregue o Processo do milagre nas mãos do Prefeito da Congregação
para a Causa dos Santos, Dom José Saraiva Martins.
Em 6 de
Dezembro de 2008, o Papa Bento XVI autoriza a publicação do Decreto
que reconhece as virtudes heróicas da Madre Maria Clara do Menino
Jesus. Com este acto é proclamada Venerável e fica mais próxima da
beatificação.
Para a
beatificação, um autêntico milagre deve ser reconhecido como obtido
através da intercessão do Servo de Deus. Os milagres confirmam que é
Deus quem inspira nos cristãos (fieis) a opinião de que um
determinado Servo de Deus é digno de ser beatificado.
Dom
Carlos Filipe Ximenes Belo
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