Ad perpetuam rei memoriam

Lúcia de Jesus dos Santos
Vidente de Fátima, Religiosa Carmelita, Serva de Deus
1907-2005

 

No domingo do dia 13 de Fevereiro de 2005, partiu para a Eternidade, aos 97 anos de idade, Irmã Lúcia de Jesus dos Santos — que nascera a 28 de Março de 1907 —, última das sobreviventes dos três pastorinhos a quem Nossa Senhora de Fátima manifestou-se a 13 de Maio de 1917, em Fátima – Portugal. Lúcia era a única que se comunicava com a Virgem Maria, enquanto Jacinta, podia ver Nossa Senhora, mas somente escutava as palavras dirigidas a ela. Francisco também podia vê-la sem, porém, poder ouvir coisa alguma. Nessa ocasião, Lúcia acabara de completar 10 anos, Francisco estava para completar 8 e a menor, Jacinta, tinha pouco mais de 7 anos. Jacinta e Francisco Marto eram primos de Lúcia.

Nossa Senhora dirigiu a eles diversos apelos para a conversão do mundo, bem como três segredos, que foram cada um deles revelados a seu tempo. O primeiro segredo, foi a visão do inferno e o pedido de consagração ao Imaculado Coração de Maria. O Segundo referia-se ao comunismo e os seus erros, que seriam disseminados no mundo pela Rússia, também as guerras, perseguições e martírios. Aqui consta a profecia de Nossa Senhora: "A Rússia espalhará seus erros pelo mundo, mas no final, o meu Imaculado Coração triunfará". 

Irmã Lúcia, posteriormente, ingressou na Congregação das Irmãs Dorotéias no ano de 1921, onde permaneceu por 23 anos. Após este período, decidiu enclausurar-se num mosteiro carmelita. Em 1948, foi transferida para um convento de Coimbra, onde permaneceu até sua morte no domingo de 13 de Fevereiro de 2005.

O Terceiro Segredo permaneceu guardado até o ano 2000, quando o Vaticano decidiu divulgar ao mundo a sua revelação, afirmando que o segredo estava relacionado com o atentado sofrido pelo Papa no dia 13 de Maio de 1981, quando foi baleado pelo turco Mohamed Ali Agca, na praça de São Pedro. "Um bispo vestido de branco, que reza junto aos fiéis, cai por terra, aparentemente morto, sob disparos de arma de fogo", foi o trecho relacionado ao atentado contra o Papa João Paulo II, dos escritos originais de Irmã Lúcia. O Sumo Pontífice sempre afirmou que a Virgem de Fátima foi quem desviou as balas. O Papa esteve diversas vezes em Fátima e como forma de agradecimento, ofereceu o anel que recebeu no início de seu pontificado. No ano 2000 (ano da revelação do 3º segredo), o Santo Padre dirigiu-se à Fátima para presidir a beatificação de Francisco e Jacinta e nesta ocasião foi que Lúcia falou pela última vez em público. Até hoje, um dos projécteis que feriram o Papa em 1981 encontra-se encastoado à coroa da imagem da Virgem de Fátima.

O seu enterro foi realizado no dia 15 de Fevereiro e seu corpo agora descansa no Convento das Carmelitas (Carmelo de Santa Teresa), onde permanecerá por um período de um ano,   devendo ser trasladado para o Santuário de Fátima, conforme era o seu desejo. É junto ao Santuário que actualmente repousam os restos dos Beatos Jacinta  e Francisco.

O Papa João Paulo II, nesta ocasião, rezou por Irmã Lúcia e enviou o cardeal Tarcisio Bertone, de Génova – Itália, para o representar no funeral realizado em Coimbra – Portugal. Foi o cardeal Bertone quem, no fim de 2001 esteve no convento de Coimbra onde vivia a Irmã Lúcia para obter maiores informações sobre alguns aspectos do documento publicado em 26 de Junho de 2000 (revelação do terceiro segredo).

Durante a cerimónia fúnebre, o cardeal Bertone leu a mensagem enviada pelo Papa, onde lembrou "com emoção nossos encontros e laços de amizade espiritual que ficaram mais intensos com o passar do tempo". Ainda na mensagem, o Santo Padre expressou sempre ter se sentido apoiado pelo quotidiano das orações de Irmã Lúcia, sobretudo em momentos difíceis de prova e sofrimento.

O mundo perdeu uma extraordinária mulher que, como instrumento de Deus nas mãos de Nossa Senhora, mudou o rumo de milhares e milhares de pessoas, cujas mensagens converteu muitos corações e move até hoje nos homens, íntimo espírito de penitência, oração e conversão.   Irmã Lúcia, no claustro de um convento Carmelita, passou a vida rezando pela humanidade, certamente por desígnio de Nossa Senhora. Isto nos leva a constatar  como é  grande o valor e o poder da oração, particularmente das contemplativas, que representam o "tesouro da Igreja", conforme salientou João Paulo II há alguns anos, quando esteve no Brasil.

Grande foi a concentração de fiéis junto ao Convento das Carmelitas, onde morreu Irmã Lúcia. A rádio Renascença Católica divulgou que Irmã Lúcia “morreu serenamente, como uma chama que se apaga, sem muito sofrimento”, palavras estas ditas pela médica que acompanhou a trajectória da sua enfermidade, Dr.ª. Branca Paul.

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