"Teremos que
submetê-la a uma intervenção cirúrgica, ou do contrário sua vida está em risco
mortal". Talvez estas tenham sido as palavras do médico que atendeu a Gianna
(Joana) Beretta, uma italiana, que estando doentes de câncer, decidiu continuar
adiante com a gravidez de seu quarto filho antes de submeter-se a uma
operação
que poderia tê-la salvo, às custas da vida do bebé não nascido.
Transcorridos 31
anos, o Papa João Paulo II beatificou no dia 24 de abril de 1994 a Gianna,
convertendo-a em um símbolo da defesa da vida.
Quem foi?
Gianna foi a
sétima de trezes filhos, de uma família de classe média de Lombardia (norte da
Itália), estudou medicina e se especializou em pediatria, profissão que atuou
junto com sua tarefa de mãe de família.
Quem a conhecia
diz que foi uma mulher activa e cheia de energia, que conduzia seu próprio carro
algo pouco comum nesses tempos, tocava piano e desfrutava indo com seu esposo
aos concertos no conservatório de Milão.
O marido de
Gianna, o engenheiro Pietro Molla, recordou há alguns anos a sua esposa como uma
pessoa completamente normal, mas com uma indiscutível confiança na Providência.
Segundo o
engenheiro Molla, o último gesto heróico de Gianna foi uma consequência coerente
de uma vida gasta dia a dia na busca do cumprimento do Plano de Deus. "Quando se
deu conta da terrível consequência de sua gestação e o crescimento de um fibroma
lembra os esposo de Gianna sua primeira reacção, racional, foi pedir que se
salvasse a criança que tinha em seu ventre".
Sua oblação
O engenheiro
Molla manifestou que "tinham-na aconselhado uma intervenção cirúrgica...isto
teria lhe salvado a vida com toda segurança. O aborto terapêutico e a extirpação
do fibroma, teria permitido que mais adiante tivesse outros filhos". "Gianna
escolheu a solução que era mais arriscada para ela".
O velho viúvo da
beata afirmou que naquela época era previsível um parto depois de uma operação
que extirparia somente o fibroma, mas isso seria muito perigoso para a mãe, "e
isto minha esposa como médica sabia muito bem".
Gianna faleceu em
28 de abril de 1962, com 39 anos de idade, uma semana depois de ter dado à luz.
O último requisito cumpriu-se em 21 anos de dezembro, quando o Papa aprovou um
milagre atribuído à intercessão de Gianna.
O milagre
A protagonista do
milagre, ocorrido em 9 de novembro de 1977 em um hospital brasileiro, foi uma
jovem parturiente que se curou de septicemia infecção generalizada o organismo.
As religiosas do hospital tinham passado a noite encomendando sua cura à
intercessão de Gianna, cuja figura era-lhes conhecida porque o promotor do
hospital era um irmão da beata, médico e missionário capuchinho no país. O Papa
aprovou o decreto que reconhecia suas virtudes heróicas e a beatificou.
O esposo de Gianna Beretta narra
suas experiências
"Ao buscar entre
as lembranças de Gianna algo para oferecer à priora das Carmelitas descalças de
Milão, lembra o esposo da beata Gianna Beretta, encontrei em um livro de orações
uma pequena imagem na qual, no dorso, Gianna tinha escrito de seu punho e letra
estas poucas palavras: "Senhor, faz que a luz que se acendeu em minha alma não
se apague jamais".
Com estas e
outras anedotas, combinadas com emotivas reflexões, Pietro Molla revelou os
perfis desconhecidos de sua esposa Gianna Beretta, falecida em 1962 e
beatificada em 24 de abril de 1994 pelo Papa João Paulo II.
Em uma emotiva
entrevista concedida à jornalista Giuliana Peluchi, Pietro desenhou um perfil e
Gianna que definiu com uma só frase: "Minha esposa era uma santa normal".
Peluchi, autora
de um livro sobre a vida de Gianna, recebeu uma repentina chamada de Pietro
Molla, com quem tinha se reunido em numerosas ocasiões para elaborar a biografia
da "mãe coragem" que preferiu oferecer sua vida antes de aceitar a operação que
custaria a vida da menina que levava em seu ventre".
"Vão beatificar a
Gianna", disse-lhe Pietro, emocionado, por telefone. A jornalista atónita, só
atinou de pedir uma última entrevista, já não em busca de dados biográficos, mas
para escutar um testemunho de Pietro sobre a vida de sua esposa.
O testemunho
"Jamais acreditei
estar vivendo com uma santa. Minha esposa tinha infinita confiança na
Providência e era uma mulher cheia de alegria de viver. Era feliz, amava sua
família, amava sua profissão de médica, também amava sua casa, a música, a
montanha, as flores e todas as coisas belas que Deus nos tinha dado", confessou
à entrevistadora Pietro Molla, enquanto seus olhos brilhavam de intensa emoção.
"Sempre me pareceu uma mulher completamente normal, mas como me disse o
Monsenhor Carlo Colombo, a santidade não é feita somente de sinais
extraordinários. É feita, sobretudo, da adesão quotidiana aos desígnios
inescrutáveis de Deus", acrescentou.
Pietro Molla
ainda lembra quando o Monsenhor Colombo o chamou para pedir que introduzisse a
causa da beatificação de Gianna. "Minha resposta positiva foi muito sofrida.
Sentimos que tínhamos que expor algo muito nosso. A história de minha esposa e
sua figura de mulher foram cada vez mais conhecidas - A nós e à família de minha
esposa nos seguiam chegando numerosas cartas de todas as partes do mundo. Nos
escreviam mulheres alemãs e americanas que chamavam a Gianna de "mamãe" , que
declaravam que nela encontravam uma amiga e que afirmavam que se dirigiam a ela
quando tinham necessidade de ajuda e que a sentiam muito próxima -.
A oração que
Gianna Beretta escrevera no verso daquela imagem pedindo que a luz da graça não
se apagasse nela jamais, se fez, segundo seu esposo, realidade: "agora vejo que
esta luz, que alegrou durante um tempo lamentavelmente brevíssimo minha vida e a
de meus filhos, se difunde como uma benção sobre quem a conheceu e a amou. Sobre
quem reza a ela e se encomendam a sua intercessão ante Deus. E isto me faz,
reviver, de maneira alentadora, o privilégio que o Senhor me concedeu de
compartilhar com Gianna uma parte de minha vida".
Todas as mães
A pequena Gianna
Emanuella, a bebê pela qual Gianna Beretta deu a vida. A jornalista Peluchi não
pode evitar perguntar a Pietro Molla sobre seus sentimentos com respeito à
beatificação de sua falecida esposa.
"Meus
sentimentos, responde emocionado, têm vários matizes, de surpresa, quase
maravilha, de agradecimento a Deus e de aceitação jubilosa, certamente feliz e
singular, deste Dom da Divina Providência, que também considero um
reconhecimento a todas as inúmeras mães desconhecidas, heróicas como Gianna, em
seu amor materno e em sua vida".
Os Molla Beretta
entretanto, esperam que a beatificação, que converteu a Gianna em um estandarte
vivo da santidade na vida familiar moderna e da defesa da vida do não nascido,
não mude sua vida cristã quotidiana.
"Espero, disse
Pietro, que Gianna possa descansar no cemitério de sua localidade natal junto
com sua filha Mariolina e junto às demais mães que a chamavam com ternura "nossa
doutora", junto a muitas mulheres que Gianna curou e às quais deu, com amor, seu
tempo e profissionalidade".
Os Molla Beretta continuarão vivendo o exemplo de santidade simples na vida
cotidiana que deixou-nos Gianna. "Para mim e para meus filhos, Gianna continuará
sendo algo muito íntimo. Uma esplêndida esposa, uma terníssima mãe. Se alguém
tem que falar, que fale a Igreja".
http://www.acidigital.com/biografias/Madres/gianna.htm
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