PADRe
Bartholomeu do Quental

O
Padre Bartolomeu (1626-1698) foi um prelado português, além de fundador da
Congregação do Oratório em
Portugal e no Brasil. Nasceu em Ponta Delgada
(Açores), originário de uma família da nobreza micaelense ; ingressou na
Universidade de Évora, onde obteve o grau de Mestre em Artes (1647); prosseguiu
os estudos de teologia na Universidade de Coimbra, sendo ordenado presbítero
após a sua conclusão (1652).
A fama da sua oratória levou D. João IV
(1640-1656) a nomeá-lo, em 1654, capelão-confessor e pregador extranumerário da
Casa Real, preenchendo assim a ausência do padre António Vieira que, em finais
de 1652, havia partido em missão para o estado do Maranhão e Grão-Pará. No
exercício das novas funções na corte, bem como na atividade pastoral
desenvolvida no arcebispado de Lisboa, tornou-se entusiasta da espiritualidade e
do modelo de clérigo pós-tridentino desenvolvido por São Filipe Neri.
Assim, abandonou o projecto de se dedicar
à evangelização dos índios do Brasil e iniciou um conjunto de diligências
destinado a introduzir a Congregação do Oratório em Portugal, encontrando
numerosas resistências movidas pelos jesuítas que não desejavam a concorrência
de uma instituição religiosa com vocação para o ensino.
Apesar das dificuldades, o seu carácter
determinado conseguiu vencer os obstáculos e, a 16 de Julho de 1668, fundou a
Casa de Lisboa, influenciada pelo espiritualidade italiana, mas adoptando, do
ponto de vista organizacional, o modelo centralizador francês (Bérulle) que
apresentava grandes semelhanças com Portugal, tratando-se em ambos os casos de
estados monárquicos de tendências centralistas.
Dirigiu, com determinação, o processo de
expansão da nova congregação a outras regiões do reino.
Publicou uma vasta obra de que se
salientam Meditações da vida de Cristo (3 vols., 1666, 1675 e 1683),
Meditações das domingas do ano (3 vols., 1695, 1696 e 1699) e 2 tomos de
Sermões (1692 e 1694).
Morreu com aura de santidade, tendo os
discípulos iniciado o processo conducente à sua beatificação entre 1720 e 1732.
A sua primeira biografia foi publicada
pelo padre José Catalano, De vita Venerabilis Bertholamaei de Quental
(Roma, 1733), traduzida para português pelo árcade Cândido Lusitano (Francisco
José Freire), sob o título Vida do venerável padre Bartholomeu do Quental
(Lisboa, 1741).



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